SABORES E SABERES AO SUL DAS MINAS

Quando se fala ou se pensa em culinária mineira, sempre se imagina uma mesa farta, com comidas maravilhosamente deliciosas e
(vamos ser honestos) associadas a uma pecaminosa gula, e o melhor: tudo isso é uma grande e incrível verdade!

Ao longo dos séculos, na formação das Minas Gerais, a comida para os mineiros sempre foi uma mistura infindável de ingredientes,
de influências, de adaptações, de alquimias que resultaram nessas fabulosas iguarias, nesses quitutes que não apenas sabem ao paladar,
mas também aos olhos, ao olfato, ao tato, às lembranças e até aos delírios, nas quitandas quentinhas e macias, nos doces,
compotas e manjares a serem apreciados de joelhos: esta a leitura que mais se aproxima do êxtase que a culinária mineira provoca.

Falamos em alquimia, pois é esta a sensação que temos ao ver preparar um prato mineiro, ao experimentar os sabores antigos e queridos:
um “cadinho” de farinha, meia “parte” de leite gordo, duas de açúcar “de festa”-
e “já lá e vem” um “docim” novo, uma quitanda de última hora.

Mas isto é coisa de mineiro, pois que na exploração dessas serras, nas passagens pelas grotas, nos descansos, beira de rio ou várzea,
comer sempre foi um ato de comunhão, de encontro, de partilhamento, de agradecimento ao “pão nosso de cada dia”.

Comer, e mais que isso, comer junto aos seus e aos amigos e visitantes e aos anônimos que à porta batiam,
formou o mineirismo que é sinônimo de acolhimento.
Só de pensar no café, no cheiro fresco e quentinho, nas sensações que as narinas enfeitiçam e às lembranças transportam,
ficaríamos uma eternidade de tardes a relembrar e enumerar seus efeitos.

São os sabores que aos saberes das gerais de minas nos trazem; são os saberes que aos sabores das minas gerais nos conduzem.

Estão servidos?

1